Por que a minha vida não vai para frente?

Por que a minha vida não vai para frente?

 

Por mais que eu ame Sandy&Junior, eu sou obrigada a discordar:

 

O outono não é sempre igual – apesar das folhas caírem no final.

 

Cada outono, a cada ano, é um momento diferente. Do corpo, da alma e do espírito. A cada ano crescemos um pouquinho, sabemos mais um pouquinho, e deixamos para trás algum outro pouquinho.

 

A vida é assim. Vamos evoluindo e deixando ir aquilo que não nos serve mais. Faz parte da jornada saber discernir o que nos acrescenta e o que nos comprime, o que nos expande e o que nos diminui, o que soma e o que diminui.

 

O outono para mim é tempo de cura. Tempo de olhar pra dentro e para fora e eliminar os excessos.

 

 

Perceber o que não serve mais, o que doeu por tempo demais, o que estou pronta para deixar ir. O que serviu por muito tempo, mas agora simplesmente não serve mais.

 

O outono na natureza é um tempo de transição. É um estágio de transformação na direção do equilíbrio. Aos poucos os dias vão ficando mais curtos, e as noites mais longas. Até que o tempo de duração do dia e da noite se equivalem – a Terra fica igualmente iluminada no Hemisfério Sul e no Hemisfério Norte.

 

Além de achar lindo o tom dourado das folhas, eu curto essa ideia de renovação, restauração, deixar ir o que não serve mais e abrir espaço para o novo.

 

Eu gosto do outono pelo senso de harmonia que ele me traz. Pela transformação que ele inspira. Quando vejo o outono chegando, lembro que é hora de dar uma faxina na casa – externa e interna. Uma faxina física e emocional.

 

Na natureza, o que não tem uso apodrece. Nós, seres humanos, fazemos parte da cadeia alimentar, habitamos o planeta Terra e somos do Reino Animal. Nós fazemos parte da natureza. Se uma regra se aplica para a natureza, ela se aplica para nós também. Se você deixar uma banana sem uso, parada na cozinha, o que acontece? Ela apodrece.

 

O que não tem uso, apodrece.

E o que não nos serve mais a gente instintivamente sabe e não usa. 

 

Aquela roupa que você comprou e nunca foi usada – e está há anos com a etiqueta no seu armário – aquela bijuteria que arrebentou e você ficou de consertar – mas ela continua jogada no canto da sua gaveta – aquele sapato que foi seu companheiro de tantas festas, mas já está furado e encostado num canto. Todos esses itens estão prendendo você emocionalmente em algo. O que está parado por muito tempo na nossa vida, faz algum sentido para nós.

 

Ninguém guarda lixo.

 

Se você tem alguma tranqueira no seu quarto, ela de alguma forma faz sentido para você.

 

Muitos motivos nos levam a guardar o que não nos serve mais.

 

Blusas, papéis, recibos de cartão de crédito, sentimentos e lembranças de relacionamentos.

 

Aquele relacionamento pode nem existir mais. São lembranças de momentos que fazem parte da sua história. Acontece que quando ficamos olhando para o passado, continuamos vivendo o passado.  

 

Quando não queremos desapegar do passado, é porque temos medo do futuro nunca ser melhor do que o que já vivemos.

 

Por exemplo aquela caixa de cartas, fotos, bilhetes, lembranças que você possivelmente tem de todos os homens que passaram pela sua vida. Por mais lindo que aquele relacionamento tenha sido, hoje o que existe dele são lembranças.

 

E o tempo pode ser muito generoso com as nossas lembranças. Ás vezes ele funciona como um filtro do instagram, deixando as imagens mais bonitas do que foram a realidade.

 

Ou os problemas menores.

 

 

Talvez você perceba hoje que muita briga poderia ter sido evitada SE você tivesse respondido de outra forma, SE ele fosse menos estressado, SE vocês se comunicassem mais.

 

Tive uma professora de história que dizia:

Marina, “SE” em história não existe.

 

E hoje eu venho falar isso para você. “Se” em história não existe. O que aconteceu já é história e entrar nessa espiral de “e se eu tivesse me acalmado”, “e se eu tivesse tentado um pouco mais” e “se eu tivesse ouvido melhor” pode ser enlouquecedor.

 

Você agiu naquela época com a cabeça que tinha naquela época. Não é justo julgar hoje a sua cabeça de ontem. Hoje você sabe mais do que ontem. E mais do que isso, hoje você já viu os resultados das suas atitudes de ontem.

 

Fica o aprendizado.

 

Ficam as lembranças.

 

Fica até a saudade.

 

Mas a página dessa história precisa ser virada. O passado é… passado. E se ele ainda faz parte do seu dia a dia, ele não é passado.. Ele é presente.

 

Por mais que você não fuxique aquela caixa de cartas antigas todo dia, você sabe bem que ela está lá. Você sabe que já foi feliz um dia, e aquela caixa é prova de que você já foi amada.

 

Se foi o melhor relacionamento do mundo, não sabemos.

 

A verdade é que quando nos apegamos ao que foi, não nos abrimos para o que pode ser.

 

Muitas vezes nos perguntamos por que a nossa vida não vai para frente. Porque parece que a vida de todo mundo melhora, menos a nossa. Porque simplesmente as coisas não acontecem para nós, ou porque parece que nada de novo acontece.

 

Não se pode encher um copo de água que já esteja cheio. Mesmo que ele esteja cheio de água podre.

 

Se apegando à essas memórias e histórias antigas, você impede que homens inteiros apareçam para você.

 

Que situações novas te surpreendam.

 

Que um grande amor exploda no seu coração.

 

Se você guarda todas essas lembranças físicas do que um dia já foi, pode ser que o seu medo de não ser feliz seja maior do que a fé que você tem no futuro.

 

Dê uma pensada em tudo o que você guarda dos seus relacionamentos antigos. Que sentimentos aparecem?

 

O fato é que se você quer algo novo na sua vida, precisa abrir espaço para receber. Seja no quarto, seja na casa, seja no coração.

 

E é justamente isso que o Outono nos fala: abrir espaço para o novo. Afinal, as flores da primavera nunca poderiam nascer se a árvore ficasse apegada às folhas velhas e secas do outono. Se nunca abrisse mão e deixasse elas irem..

 

Sei que o este texto pode ser desafiador para muitas pessoas.  

 

A minha sugestão hoje é dar um passo de coragem e acreditar que o está por vir, será melhor do que o que já foi

 

Vamos nessa?!

 

Com carinho,

Marina Fracassi

Author: Marina

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